Quer ler o que?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Escuta

Eles tentaram abrir os olhos, mas as palpebras estavam coladas.

Eles tentaram dizer, mas as bocas estavam suturadas.

Eles tentaram mover, e estavam amarrados.

Então , se rasgaram. Gritaram. Escreveram. Cantaram. Declamaram. Protestaram.

Alguns morreram, alguns não se importaram, e alguns se tornaram livres.

E graças a eles ,livres por sua força, podemos olhar, dizer e ir. Passe adiante

Perfil 2

Viver a vida a favor do inesperado, do imprevisível. Ter liberdade plena, de expressão e de passos. Buscar o novo, buscar sentir todas as sensações da vida. Abraçar o mundo. E ter a consciência de que felicidade só é real quando compartilhada. Desejar ser tão livre, tão solta, tão desempedida a ponto de poder voltar pra casa.Não se preocupar. pré-ocupação, não nos leva até onde podemos chegar. Pré-ocupação gera cautela, e é tão eficiente quanto fazer pedido para o relógio as 12:12.Viver a vida sem medos, e com muita extravagância.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ela tá P.

O fato é.. preciso escrever, e não sei como começar..

Minha mãe tá P. da vida comigo e não é por um motivo exato. É por uma junção de fatos, o que eu acho muito mais complexo de resolver. Pelo menos quando o motivo é único (por maior que ele seja) em uma discussão só, já resolve e pronto..

Talvez ela ache que eu não me esforço pra entender os motivos todos, mas no momento nada me parece suficiente. Talvez porque como o erro é meu ele para mim não se parece um erro( mesmo porque se parecesse eu não o cometeira).. eu tenho uma vaga idéia do porque, mas ela é uma idéia nova e não muito nítida.

Hoje no almoço ela disse a seguinte frase " Se você realmente não enxerga o porque de eu não falar com você, você tem um problema, um graande problema." Teria sido mais adequado colocar a frase em Caps Lock, e algo me diz que se no momento ela tivesse lasers nos olhos eu não estaria aqui pra contar a história..

Não sei se aviso ela ou não .. mas eu tenho um problema. Mais especificamente: Um GRANDE problema. E me sinto levemente burra pro não entender as coisas. Odeio me sentir burra. Mesmo proque quase toda vez que minha mãe me disse alguma coisa, ou ela tinha razão, ou a opção dela também não teria dado errado. Ela nunca fala uma coisa totalmente sem fundamento.. alguma razão sempre tem. E para uma filha de 15 anos isso é um tanto quanto duro de admitir.

Devia existir um exilir da pacificação de ambientes.. podia vender em spray, ai aonde a gente passasse a gente ia espirrando.. " Pacifex, trabalhando para a harmonia da sua vida!

Qualquer solução plausível estou toda a ouvidos.

a vida é complicada. Mas eu gosto dela..!

o/

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Perfil 1

Estou no segundo colegial, e não pretendo fazer vestibular ano que vem.

Não.. não sou vagal, nem vou repetir de ano, mas pretendo viajar em julho de 2009 pra passar um ano foora.

As pessoas sempre me perguntam.. "-Maaas voce vai viajar no terceeeiro? e o vestibulaar?"

Os candidatos de 2009 que me perdoem, mas entre ficar aonde estou, prestar vestibular, correr o risco de não passar e depois fazer um ano de cursinho. Eu prefiro viajar, conhecer bem um lugar por um ano, e depois voltar e fazer só seis meses de "pré-vestibular". Quem sabe quando a oportunidade de viajar por um ano vai vir de novo?
Sinto , mas vou usar a frase mais clichê do mundo: não deixe pra amanhã oque voce pode fazer hoje.

Voce tem dois caminhos, ve qual é mais importante pra voce, e vai.

Alemanha, nos veremos em breve.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sem isso nem aquilo.

No meio de uma aula de história, com o tema “filosofias de governo”, uma vontade insana de levantar da minha carteira e gritar com o indivíduo a minha frente, aflorou tão rapidamente que no impulso, eu levantei. Mas fui obrigada a disfarçar e pedir pra ir ao banheiro.

Tudo isso porque quando o professor comentou que a filosofia do capitalismo era: propriedade privada, livre iniciativa, livre comércio, acúmulo de capital, individualismo, desigualdade vista como natural do sistema, e a crença de que ser rico depende de nosso único e exclusivo esforço, o garoto teve a idéia de comentar:

-Vai dizer que não é? Já ouvi dizer que um cortador de cana conseguiu cortar cana por cinco anos, depois ele foi promovido a vendedor, depois a chefe de vendas, e hoje ele é gerente do seu próprio negócio. Se todos se esforçassem, o mundo inteiro seria rico.

É incrível, ou talvez seja apenas esperado, que um aluno supostamente bem informado, tenha uma idéia tão tapada do mundo em que vivemos. É inacreditável, que existam pessoas tão próximas a nós, que pensem assim.

Se o indivíduo em questão tivesse que trabalhar cinco anos cortando cana, com carga horária de 18 horas por dia, só recebendo no período de colheita e passando fome nos outros meses do ano, para então ser promovido a vendedor de cana, duvido que fosse a favor do pensamento, que dinheiro depende de nosso esforço.

O capitalismo é uma filosofia que lidera todos os países do mundo com exceção de Cuba, que apesar de ter aberto seus portos para poucos produtos estrangeiros, ainda é socialista. O capitalismo compra a integridade do homem, heróis do povo que eram contra o capitalismo, e se diziam socialistas, se diziam de esquerda, hoje governam o Brasil de forma vergonhosa. O capitalismo distorce programas criados para o incentivo da independência familiar, e cria o fome-zero. O sistema também corrompe supostos lideres do povo trabalhista, como o ilustre deputado, e ladrão, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que com o maior cinismo por ele encontrado responde as acusações de desvio de dois milhões de reais de empréstimos do BNDES, com a declaração “ Existem milhares de Paulinhos no mundo, porque tem que ser eu?”.

O liberalismo econômico dá certo para parte da população, mas infelizmente, não abrange a todos de forma igualitária. E quem defende a teoria do esforço para se tornar rico, deveria ter a consciência que dois terços, da população mundial, que podem ter se esforçado ao máximo, está abaixo da linha da pobreza. Ou seja, vivem na miséria. Sem casa, sem comida e sem roupa. Nem suja, nem lavada.

Não sou a primeira, muito menos a última a discordar do sistema, e da situação atual da distribuição de renda. Mas acho que deveríamos demonstrar o mesmo empenho que destinamos para outras causas, no quesito ser humano. E termos a consciência de que, não ter nascido na periferia de Gabão e sim em uma casa limpa e arejada em um condomínio fechado, foi obra do acaso.