- Oi filha, desculpa te ligar durante a aula.
- Não pai, eu já sai da sala. Diga.
- É que eu to no supermercado, na seção de absorvente, e queria saber qual que voce quer. Se é o azul e verde, ou o azul e roxo.
- É o laranja. Da Always.
- Tem um que chama Sempre Livre.
- Always, pai. O único que deve ser laranja.
- De repente é tudo laranja. Always não é sempre em inglês?
- É.
- Então! Sempre Livre e Always! É igual.
- Não é a mesma marca.
- As vezes é pra estrangeiro.
- Não, nesse caso não é.
- Tem certeza?
- Sim.
- Tem um Sym.
- Então pronto! Pega dois pacotes.
- Não, a marca chama Sym.
- Sim?
- É. Mas é com ypsolon.
- Não, pai, Sym não.
- Sim.
- Não!
- Não, agora eu tava concordando. Achei a parte do Always, e achei o laranja.
- Lê o que está escrito no pacote, pra eu ver se é esse mesmo.
- Always, básico. Suave como algodão acetinado, Suave..
- Pai , esse é o amarelo.
- Como voce sabe?
- O laranja tem malha seca.
- Não é tudo igual?
- Não, pai, é diferente.
- Por isso que muda a cor?
- É, pai. Achou o laranja?
- Marina, não existe laranja. Eu vou pegar o amarelo não serve?
- Não, pai!
- Já tá me irritando, Marina! Depois você vem comprar sozinha.
- Pai! Você já tá ai! Pega o laranja da Always!
- Porque voce não vem você!?
- Se chama Lei do Mínimo Esforço.
- Se chama comodismo , Marina!
- Pede ajuda pra moça que usa a blusa do "Posso te ajudar?"
- Vou pedir. Espera na linha.
- E ai?
- Só tinha um moço com a camiseta do "Posso te ajudar?".
- E ai? Ele achou?
- Ele não tinha a menor noção do que eu estave pedindo.
- E então?
- Foi chamar a gerente, porque ela é mulher.
- Que vergonha, pai!
- Eu que o diga , Marina, eu que o diga. Que escândalo por uma coisa tão superficial!
- Não é você que usa!
- Justamente! Consequentemente, não deveria ser eu quem compra!
- Você tá gritando comigo a toa!
- Você também!
- Você devia tomar floral.
- Você devia comprar seus próprios absorventes!
- Abandona a causa então! Vai embora, e depois me deixa sentada na palha!
- O que tem a ver a palha com o absorvente!?
- As mulheres antigamente, quando não tinha absorvente, ficavam sentadas na palha.
- Uma semana?
- Enquanto durasse, ué.
- Espera que a gerente chegou.
- E ai? A moça voltou?
- Tá vindo.
- De patins?
- Não, de roller.
- Patins é roller.
- Não é não.
- É sim.
- Eu andei de roller minha vida inteira.
- Então qual a diferença?
- Roller são 4 rodas uma atrás da outra, e patins são 4 rodas duas a duas.
- han... faz sentido.
- Chegou o absorvente. Tem um pacote só.
- Tudo bem. Obrigada.
- Beijos.
- Boa aula.
- Pai? desculpa ligar de novo... mas você viu se é com abas?
quarta-feira, 13 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Pimentinha.
- Alô?
- Oi Ana! É a Keka, tudo bem?
- Tudo e ai?
- Tudo bem, também. Você tá muito ocupada ou pode falar?
- To um pouco ocupada sim, é rapido? Se não eu te ligo quando sair do escritório...
- Não, é meio rápido sim. Na verdade queria pedir sua opnião. É sobre a Pimentinha.
- Tua gata?
- É. Eu acho que ela é muda.
- Muda? Existe gata muda?
- Não sei, deve existir. Existe gata cega.
- Procura no Google.
- Será que tem?
- Outro dia eu procurei sobre fibras da batata, e tinha todo um mestrado sobre.
- Fibras da batata? Que ser humano normal faz um mestrado sobre fibras da batata?
- John Finningham era o nome do cara. Keka, depois te ligo que vou terminar uns selos.
- Ok, passa aqui antes de ir pra casa. Acho mesmo que a Pimentinha é muda.
- Tá. Beijos
- Me liga!
- Porque você acha que ela é muda?
- Ela não mia!
- Claro que mia! Todo gato mia!
- Gato só mia quando tá com fome.
- Onde voce viu isso?
- No Google, hoje de manhã.
- Tenta deixar ela com fome, ué.
- É maldade!
- É. Qual o problema de ela ser muda?
- Comprei uma gata pra ouvir o miado.
- Estranho.
- A gata não miar?
- Não, você comprar uma gata pra ouvir um miado.
- Acho que vou levar ela no veterinário.
- Acho que você devia deixar ela com fome.
- Quanto tempo?
- Uns dois dias.
- Quer um café?
- Han... sim.
- Açúcar ou adoçante?
- Adoçante. E se você comprasse um passarinho?
- Passarinho não mia.
- Mas canta.
- É, ia ser bacana.
- Compra um periquito!
- Ou uma calopsita!
- Alô?
- A calopsita canta.
- Eu disse!
- Mas ainda quero um gato que mie.
- Deixa a Pimentinha com fome!
- Eu tenho dó.
- Mas são só dois dias, e além do mais, ela tá meio gordinha mesmo.
- Vou pensar. Depois te ligo.
- Beijos.
- Alô?
- A calopsita morreu!
- E agora!?
- Agora não tem nem canto, nem miado.
- Desiste e compra um CD.
- De canto de calopsita?
- Não! De miado de gata.
- Existe?
- Procura no Google.
- Vou procurar.
- Mas, o que aconteceu?
- Segui o seu conselho.
- Qual dos?
- Deixei a pimentinha com fome.
- Oi Ana! É a Keka, tudo bem?
- Tudo e ai?
- Tudo bem, também. Você tá muito ocupada ou pode falar?
- To um pouco ocupada sim, é rapido? Se não eu te ligo quando sair do escritório...
- Não, é meio rápido sim. Na verdade queria pedir sua opnião. É sobre a Pimentinha.
- Tua gata?
- É. Eu acho que ela é muda.
- Muda? Existe gata muda?
- Não sei, deve existir. Existe gata cega.
- Procura no Google.
- Será que tem?
- Outro dia eu procurei sobre fibras da batata, e tinha todo um mestrado sobre.
- Fibras da batata? Que ser humano normal faz um mestrado sobre fibras da batata?
- John Finningham era o nome do cara. Keka, depois te ligo que vou terminar uns selos.
- Ok, passa aqui antes de ir pra casa. Acho mesmo que a Pimentinha é muda.
- Tá. Beijos
- Me liga!
- Porque você acha que ela é muda?
- Ela não mia!
- Claro que mia! Todo gato mia!
- Gato só mia quando tá com fome.
- Onde voce viu isso?
- No Google, hoje de manhã.
- Tenta deixar ela com fome, ué.
- É maldade!
- É. Qual o problema de ela ser muda?
- Comprei uma gata pra ouvir o miado.
- Estranho.
- A gata não miar?
- Não, você comprar uma gata pra ouvir um miado.
- Acho que vou levar ela no veterinário.
- Acho que você devia deixar ela com fome.
- Quanto tempo?
- Uns dois dias.
- Quer um café?
- Han... sim.
- Açúcar ou adoçante?
- Adoçante. E se você comprasse um passarinho?
- Passarinho não mia.
- Mas canta.
- É, ia ser bacana.
- Compra um periquito!
- Ou uma calopsita!
- Alô?
- A calopsita canta.
- Eu disse!
- Mas ainda quero um gato que mie.
- Deixa a Pimentinha com fome!
- Eu tenho dó.
- Mas são só dois dias, e além do mais, ela tá meio gordinha mesmo.
- Vou pensar. Depois te ligo.
- Beijos.
- Alô?
- A calopsita morreu!
- E agora!?
- Agora não tem nem canto, nem miado.
- Desiste e compra um CD.
- De canto de calopsita?
- Não! De miado de gata.
- Existe?
- Procura no Google.
- Vou procurar.
- Mas, o que aconteceu?
- Segui o seu conselho.
- Qual dos?
- Deixei a pimentinha com fome.
domingo, 3 de maio de 2009
Ciso.
- Doutora, dói quanto pra extrair os dentes?
- Com a anestesia não dói nada. É rápido.
- E a anestesia? dói quanto pra ser aplicada?
- Dói pouco, uma picadinha.
- Tipo de pernilongo?
- Abre a boca e fala "a".
- A.
-Hoje a gente tira dois, ai daqui umas três semanas a gente tira o resto, tudo bem?
- Ahã.
- Pode fechar a boca enquanto eu esterilizo o material. E fica tranquila que a operação é super simples.
- Tá. Você se importa se eu ficar de olhos fechados durante a operação? Não quero ver os instrumentos e tal.
- Até pode, mas os aparelhos não são assustadores.
- Nada contra a senhora, mas tenho um trauma de dentistas. Só de ver essa cama que sobe e desce, me vem a mente torturas medievais.
- Eu vou fazer a operação de forma calma. pode relaxar. Primeiro eu vou pegar esse bisturi e fazer um corte na gengiva, até chegar bem perto de dente..
- Sério, não quero maiores detalhes. Você tem grande experiência com extrações?
- Abre a boca de novo.
- Meire, pega o alicate maior pra mim?
- Tá esterilizando, Doutora?
- Tá em cima da mesa.
- Já tá esterilizado?
- Deve estar.
- Tehn cerntehza?
- Não mexe a boca. Senão, eu acabo te machucando.
- Esse é dos grandes mesmo.
- É, e o pior é que tá quase de ponta cabeça. Não tem apoio pra puxar o dente.
- Meu Deus, Doutora. Vai arrancar a arcada dentária da menina!
- Vou tentar com o alicate maior agora. Se doer você avisa. Mas não vai doer, porque tá anestesiado.
- Pode sugar a boca, Doutora?
- Pode e me empresta a broca que eu tive uma idéia. Agora esse gigante sai! Quando disser "já" eu puxo.
- Vai devagar, Doutora.
- Quieta Meire. Já!
- Saiu?
- Ainda não, Meire. Esse ciso está levando para o lado pessoal! Testando minha capacidade como profissional. Vamos tentar de novo, fazendo uma alavanca.
- (Abro os olhos. Consigo ver olhos de prazer, ela se deleita com a minha extração. As pupilas estão dilatadas! Pára com isso! Pára!) Ta hoehndo ! Ta hoehndo! (Os olhos dilataram mais!)
- Só um minutinho, que agora é crucial. A gente já anestesia de novo. Deixa só eu colocar aqui e agora me empresta a broca!
- Calma, Doutora!
- Pega o.. o.. que parece um martelo e suga o excesso da boca.
- Pego Doutora, mas cuidado com a boca da menina!
- Ta hoenndo!
- Obrigada! Me passa o alicate!
- Doutora, não ensinaram isso na faculdade! Meu Deus! Não posso olhar!
- Pega gaze! gaze!
- Ta hoehndo ahindha!
- Pega a injeção da anestesia.
- Que dose que prepara, Doutora?
- A menor, se não o próximo fica sem anestesia.
- Ai, valha me Deus Doutora!
- Verifica se a porta tá trancada!
- Pra quê, Doutora!? A senhora acha que a menina não aguenta!? Imagina se alguém acha o corpo!
- Não, Meire! Não fala bobagem! Preciso de um apoio pra poder puxar aqui.
- Oque que a senhora pretende!?
- Dar impulso! você me desculpa por a perna por cima de você, garota, prometo não sujar sua roupa com o sapato.
- Doutora, é uma extração, não uma acrobacia!
- Vou puxar no três!
- Ta hoehndo ! Ta hoehndo nuinto!
- Um... Meire, não se abaixa!
- Desculpa, Doutora.
- Dois... Suga o excesso da boca! e TRÊS!
- UTAH QUE PFAHRIU!
- Como assim, Doutora?
- Nós vamos marcar um retorno.
- Mas a senhora apoiou o pé na porta!
- Querida, aquilo foi método odontológico. É super valorizado nas melhores universidades.
- Não foi o que a Meire disse.
- Por isso que ela é a assistente, e eu sou a dentista.
- Doutora eu não vou voltar.
- Foi porque eu deixei uma pegada na sua blusa?
- Não, Doutora, mas eu não vou voltar.
- Mas o dente não saiu!
- Com a anestesia não dói nada. É rápido.
- E a anestesia? dói quanto pra ser aplicada?
- Dói pouco, uma picadinha.
- Tipo de pernilongo?
- Abre a boca e fala "a".
- A.
-Hoje a gente tira dois, ai daqui umas três semanas a gente tira o resto, tudo bem?
- Ahã.
- Pode fechar a boca enquanto eu esterilizo o material. E fica tranquila que a operação é super simples.
- Tá. Você se importa se eu ficar de olhos fechados durante a operação? Não quero ver os instrumentos e tal.
- Até pode, mas os aparelhos não são assustadores.
- Nada contra a senhora, mas tenho um trauma de dentistas. Só de ver essa cama que sobe e desce, me vem a mente torturas medievais.
- Eu vou fazer a operação de forma calma. pode relaxar. Primeiro eu vou pegar esse bisturi e fazer um corte na gengiva, até chegar bem perto de dente..
- Sério, não quero maiores detalhes. Você tem grande experiência com extrações?
- Abre a boca de novo.
- Meire, pega o alicate maior pra mim?
- Tá esterilizando, Doutora?
- Tá em cima da mesa.
- Já tá esterilizado?
- Deve estar.
- Tehn cerntehza?
- Não mexe a boca. Senão, eu acabo te machucando.
- Esse é dos grandes mesmo.
- É, e o pior é que tá quase de ponta cabeça. Não tem apoio pra puxar o dente.
- Meu Deus, Doutora. Vai arrancar a arcada dentária da menina!
- Vou tentar com o alicate maior agora. Se doer você avisa. Mas não vai doer, porque tá anestesiado.
- Pode sugar a boca, Doutora?
- Pode e me empresta a broca que eu tive uma idéia. Agora esse gigante sai! Quando disser "já" eu puxo.
- Vai devagar, Doutora.
- Quieta Meire. Já!
- Saiu?
- Ainda não, Meire. Esse ciso está levando para o lado pessoal! Testando minha capacidade como profissional. Vamos tentar de novo, fazendo uma alavanca.
- (Abro os olhos. Consigo ver olhos de prazer, ela se deleita com a minha extração. As pupilas estão dilatadas! Pára com isso! Pára!) Ta hoehndo ! Ta hoehndo! (Os olhos dilataram mais!)
- Só um minutinho, que agora é crucial. A gente já anestesia de novo. Deixa só eu colocar aqui e agora me empresta a broca!
- Calma, Doutora!
- Pega o.. o.. que parece um martelo e suga o excesso da boca.
- Pego Doutora, mas cuidado com a boca da menina!
- Ta hoenndo!
- Obrigada! Me passa o alicate!
- Doutora, não ensinaram isso na faculdade! Meu Deus! Não posso olhar!
- Pega gaze! gaze!
- Ta hoehndo ahindha!
- Pega a injeção da anestesia.
- Que dose que prepara, Doutora?
- A menor, se não o próximo fica sem anestesia.
- Ai, valha me Deus Doutora!
- Verifica se a porta tá trancada!
- Pra quê, Doutora!? A senhora acha que a menina não aguenta!? Imagina se alguém acha o corpo!
- Não, Meire! Não fala bobagem! Preciso de um apoio pra poder puxar aqui.
- Oque que a senhora pretende!?
- Dar impulso! você me desculpa por a perna por cima de você, garota, prometo não sujar sua roupa com o sapato.
- Doutora, é uma extração, não uma acrobacia!
- Vou puxar no três!
- Ta hoehndo ! Ta hoehndo nuinto!
- Um... Meire, não se abaixa!
- Desculpa, Doutora.
- Dois... Suga o excesso da boca! e TRÊS!
- UTAH QUE PFAHRIU!
- Como assim, Doutora?
- Nós vamos marcar um retorno.
- Mas a senhora apoiou o pé na porta!
- Querida, aquilo foi método odontológico. É super valorizado nas melhores universidades.
- Não foi o que a Meire disse.
- Por isso que ela é a assistente, e eu sou a dentista.
- Doutora eu não vou voltar.
- Foi porque eu deixei uma pegada na sua blusa?
- Não, Doutora, mas eu não vou voltar.
- Mas o dente não saiu!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Seu Jonas.
- A minha mãe tá dando aula ela não vai atender o celular agora.
- Mas sem a autorização da mãe, a gente não pode liberar a saída da senhora.
- Olha o meu tamanho!
- Me desculpa, minha senhora. Sem autorização a senhora continua aqui dentro.
- Seu Jonas, se eu perder o ônibus, o senhor vai me levar pra casa. E olha que eu moro muito, muito longe.
- Minha senhora, eu não posso te levar pra casa. A senhora quer falar com a Dona Mirtes?
- Ela vai resolver o problema?
- Eu não sei, minha senhora. Vai naquela sala a direita, e conversa com ela. Se ela deixar, pede pra ela avisar pelo radio que eu deixo a senhora sair.
- Dona Mirtes, eu já acabei de fazer prova. Preciso ir embora e o seu Jonas da portaria não quer me deixar sair.
- Porque não?
- Não tem autorização.
- Vamos ligar pra sua mãe, e ela autoriza você sair.
- Dona Mirtes, minha mãe ta dando aula e não vai atender o celular agora.
- Tem que esperar então. Sem autorização eu não posso deixar você sair.
- Se eu perder o ônibus, a senhora vai me levar pra casa. E olha que eu moro muito, muito longe.
- Sei... eu tenho muita coisa pra fazer, muito trabalho pra terminar ainda hoje. Então me deixa trabalhar enquanto a aula da sua mãe não acaba, tudo bem?
- Tudo Dona Mirtes.
- ... Mas... só tem um ônibus?
- Tem um em quinze minutos, e outro só cinco horas da tarde. Me ajuda Dona Mirtes! Eu não posso acampar na escola. Eu preciso ir pra casa! Nunca tive problema com isso.
- São regras novas do colégio, a gente avisou durante a semana.
- Mas só tem eu, a senhora e o Seu Jonas na escola! Quer saber? É vingança do Seu Jonas!
- Porque vingança?
- Porque ele tem que trabalhar sábado.
- O Seu Jonas não parece guardar rancor.
- Ah... Dona Mirtes tava vendo na televisão uma reportagem de sociopatas, eu da senhora tomava cuidado.
- Será? Ele é sempre tão gentil.
- Assim que ele conquista as vítimas...
- ...
- Por favor Dona Mirtes!
- Olha, isso é atípico, só vou autorizar porque se não o Seu Jonas guarda rancor.
- Obrigada, Dona Mirtes ! Até segunda!
- Não ! Volta aqui! Eu vou junto com você.
- Mas e o trabalho, Dona Mirtes?
- Deixa pra quando o Seu Jonas tiver de folga.
- Mas sem a autorização da mãe, a gente não pode liberar a saída da senhora.
- Olha o meu tamanho!
- Me desculpa, minha senhora. Sem autorização a senhora continua aqui dentro.
- Seu Jonas, se eu perder o ônibus, o senhor vai me levar pra casa. E olha que eu moro muito, muito longe.
- Minha senhora, eu não posso te levar pra casa. A senhora quer falar com a Dona Mirtes?
- Ela vai resolver o problema?
- Eu não sei, minha senhora. Vai naquela sala a direita, e conversa com ela. Se ela deixar, pede pra ela avisar pelo radio que eu deixo a senhora sair.
- Dona Mirtes, eu já acabei de fazer prova. Preciso ir embora e o seu Jonas da portaria não quer me deixar sair.
- Porque não?
- Não tem autorização.
- Vamos ligar pra sua mãe, e ela autoriza você sair.
- Dona Mirtes, minha mãe ta dando aula e não vai atender o celular agora.
- Tem que esperar então. Sem autorização eu não posso deixar você sair.
- Se eu perder o ônibus, a senhora vai me levar pra casa. E olha que eu moro muito, muito longe.
- Sei... eu tenho muita coisa pra fazer, muito trabalho pra terminar ainda hoje. Então me deixa trabalhar enquanto a aula da sua mãe não acaba, tudo bem?
- Tudo Dona Mirtes.
- ... Mas... só tem um ônibus?
- Tem um em quinze minutos, e outro só cinco horas da tarde. Me ajuda Dona Mirtes! Eu não posso acampar na escola. Eu preciso ir pra casa! Nunca tive problema com isso.
- São regras novas do colégio, a gente avisou durante a semana.
- Mas só tem eu, a senhora e o Seu Jonas na escola! Quer saber? É vingança do Seu Jonas!
- Porque vingança?
- Porque ele tem que trabalhar sábado.
- O Seu Jonas não parece guardar rancor.
- Ah... Dona Mirtes tava vendo na televisão uma reportagem de sociopatas, eu da senhora tomava cuidado.
- Será? Ele é sempre tão gentil.
- Assim que ele conquista as vítimas...
- ...
- Por favor Dona Mirtes!
- Olha, isso é atípico, só vou autorizar porque se não o Seu Jonas guarda rancor.
- Obrigada, Dona Mirtes ! Até segunda!
- Não ! Volta aqui! Eu vou junto com você.
- Mas e o trabalho, Dona Mirtes?
- Deixa pra quando o Seu Jonas tiver de folga.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Imprevisivel.
Não sei explicar com palavras, o que penso, o que sinto e o que sou. Acho que se super-estima o homem que tenta definir vidas com palavras. Viver é algo além das limitações do dicionário, é algo que não se analisa nem morfológica nem sintaticamente, nem se explica como fazer. Viver é algo que se aprende. Não acho que com pequenos agrupamentos de letras eu abranja toda a magnitude do ser. Não importa o que digam, o ser humano vai sempre além. E a cada dia nos surpreendemos com os outros , mas principalmente nos surpreendemos com nós mesmos. O que somos hoje, não é o mesmo do que seremos amanhã. Portanto, não me peça pra dizer quem sou.
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