Quer ler o que?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

No supermecado.

- Oi filha, desculpa te ligar durante a aula.

- Não pai, eu já sai da sala. Diga.

- É que eu to no supermercado, na seção de absorvente, e queria saber qual que voce quer. Se é o azul e verde, ou o azul e roxo.

- É o laranja. Da Always.

- Tem um que chama Sempre Livre.

- Always, pai. O único que deve ser laranja.

- De repente é tudo laranja. Always não é sempre em inglês?

- É.

- Então! Sempre Livre e Always! É igual.

- Não é a mesma marca.

- As vezes é pra estrangeiro.

- Não, nesse caso não é.

- Tem certeza?

- Sim.

- Tem um Sym.

- Então pronto! Pega dois pacotes.

- Não, a marca chama Sym.

- Sim?

- É. Mas é com ypsolon.

- Não, pai, Sym não.

- Sim.

- Não!

- Não, agora eu tava concordando. Achei a parte do Always, e achei o laranja.

- Lê o que está escrito no pacote, pra eu ver se é esse mesmo.

- Always, básico. Suave como algodão acetinado, Suave..

- Pai , esse é o amarelo.

- Como voce sabe?

- O laranja tem malha seca.

- Não é tudo igual?

- Não, pai, é diferente.

- Por isso que muda a cor?

- É, pai. Achou o laranja?

- Marina, não existe laranja. Eu vou pegar o amarelo não serve?

- Não, pai!

- Já tá me irritando, Marina! Depois você vem comprar sozinha.

- Pai! Você já tá ai! Pega o laranja da Always!

- Porque voce não vem você!?

- Se chama Lei do Mínimo Esforço.

- Se chama comodismo , Marina!

- Pede ajuda pra moça que usa a blusa do "Posso te ajudar?"

- Vou pedir. Espera na linha.


- E ai?

- Só tinha um moço com a camiseta do "Posso te ajudar?".

- E ai? Ele achou?

- Ele não tinha a menor noção do que eu estave pedindo.

- E então?

- Foi chamar a gerente, porque ela é mulher.

- Que vergonha, pai!

- Eu que o diga , Marina, eu que o diga. Que escândalo por uma coisa tão superficial!

- Não é você que usa!

- Justamente! Consequentemente, não deveria ser eu quem compra!

- Você tá gritando comigo a toa!

- Você também!

- Você devia tomar floral.

- Você devia comprar seus próprios absorventes!

- Abandona a causa então! Vai embora, e depois me deixa sentada na palha!

- O que tem a ver a palha com o absorvente!?

- As mulheres antigamente, quando não tinha absorvente, ficavam sentadas na palha.

- Uma semana?

- Enquanto durasse, ué.

- Espera que a gerente chegou.


- E ai? A moça voltou?

- Tá vindo.

- De patins?

- Não, de roller.

- Patins é roller.

- Não é não.

- É sim.

- Eu andei de roller minha vida inteira.

- Então qual a diferença?

- Roller são 4 rodas uma atrás da outra, e patins são 4 rodas duas a duas.

- han... faz sentido.

- Chegou o absorvente. Tem um pacote só.

- Tudo bem. Obrigada.

- Beijos.

- Boa aula.


- Pai? desculpa ligar de novo... mas você viu se é com abas?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pimentinha.

- Alô?

- Oi Ana! É a Keka, tudo bem?

- Tudo e ai?

- Tudo bem, também. Você tá muito ocupada ou pode falar?

- To um pouco ocupada sim, é rapido? Se não eu te ligo quando sair do escritório...

- Não, é meio rápido sim. Na verdade queria pedir sua opnião. É sobre a Pimentinha.

- Tua gata?

- É. Eu acho que ela é muda.

- Muda? Existe gata muda?

- Não sei, deve existir. Existe gata cega.

- Procura no Google.

- Será que tem?

- Outro dia eu procurei sobre fibras da batata, e tinha todo um mestrado sobre.

- Fibras da batata? Que ser humano normal faz um mestrado sobre fibras da batata?

- John Finningham era o nome do cara. Keka, depois te ligo que vou terminar uns selos.

- Ok, passa aqui antes de ir pra casa. Acho mesmo que a Pimentinha é muda.

- Tá. Beijos

- Me liga!



- Porque você acha que ela é muda?

- Ela não mia!

- Claro que mia! Todo gato mia!

- Gato só mia quando tá com fome.

- Onde voce viu isso?

- No Google, hoje de manhã.

- Tenta deixar ela com fome, ué.

- É maldade!

- É. Qual o problema de ela ser muda?

- Comprei uma gata pra ouvir o miado.

- Estranho.

- A gata não miar?

- Não, você comprar uma gata pra ouvir um miado.

- Acho que vou levar ela no veterinário.

- Acho que você devia deixar ela com fome.

- Quanto tempo?

- Uns dois dias.

- Quer um café?

- Han... sim.

- Açúcar ou adoçante?

- Adoçante. E se você comprasse um passarinho?

- Passarinho não mia.

- Mas canta.

- É, ia ser bacana.

- Compra um periquito!

- Ou uma calopsita!



- Alô?

- A calopsita canta.

- Eu disse!

- Mas ainda quero um gato que mie.

- Deixa a Pimentinha com fome!

- Eu tenho dó.

- Mas são só dois dias, e além do mais, ela tá meio gordinha mesmo.

- Vou pensar. Depois te ligo.

- Beijos.



- Alô?

- A calopsita morreu!

- E agora!?

- Agora não tem nem canto, nem miado.

- Desiste e compra um CD.

- De canto de calopsita?

- Não! De miado de gata.

- Existe?

- Procura no Google.

- Vou procurar.

- Mas, o que aconteceu?

- Segui o seu conselho.

- Qual dos?

- Deixei a pimentinha com fome.

domingo, 3 de maio de 2009

Ciso.

- Doutora, dói quanto pra extrair os dentes?

- Com a anestesia não dói nada. É rápido.

- E a anestesia? dói quanto pra ser aplicada?

- Dói pouco, uma picadinha.

- Tipo de pernilongo?

- Abre a boca e fala "a".

- A.

-Hoje a gente tira dois, ai daqui umas três semanas a gente tira o resto, tudo bem?

- Ahã.

- Pode fechar a boca enquanto eu esterilizo o material. E fica tranquila que a operação é super simples.

- Tá. Você se importa se eu ficar de olhos fechados durante a operação? Não quero ver os instrumentos e tal.

- Até pode, mas os aparelhos não são assustadores.

- Nada contra a senhora, mas tenho um trauma de dentistas. Só de ver essa cama que sobe e desce, me vem a mente torturas medievais.

- Eu vou fazer a operação de forma calma. pode relaxar. Primeiro eu vou pegar esse bisturi e fazer um corte na gengiva, até chegar bem perto de dente..

- Sério, não quero maiores detalhes. Você tem grande experiência com extrações?

- Abre a boca de novo.


- Meire, pega o alicate maior pra mim?

- Tá esterilizando, Doutora?

- Tá em cima da mesa.

- Já tá esterilizado?

- Deve estar.

- Tehn cerntehza?

- Não mexe a boca. Senão, eu acabo te machucando.

- Esse é dos grandes mesmo.

- É, e o pior é que tá quase de ponta cabeça. Não tem apoio pra puxar o dente.

- Meu Deus, Doutora. Vai arrancar a arcada dentária da menina!

- Vou tentar com o alicate maior agora. Se doer você avisa. Mas não vai doer, porque tá anestesiado.

- Pode sugar a boca, Doutora?

- Pode e me empresta a broca que eu tive uma idéia. Agora esse gigante sai! Quando disser "já" eu puxo.

- Vai devagar, Doutora.

- Quieta Meire. Já!


- Saiu?

- Ainda não, Meire. Esse ciso está levando para o lado pessoal! Testando minha capacidade como profissional. Vamos tentar de novo, fazendo uma alavanca.

- (Abro os olhos. Consigo ver olhos de prazer, ela se deleita com a minha extração. As pupilas estão dilatadas! Pára com isso! Pára!) Ta hoehndo ! Ta hoehndo! (Os olhos dilataram mais!)

- Só um minutinho, que agora é crucial. A gente já anestesia de novo. Deixa só eu colocar aqui e agora me empresta a broca!

- Calma, Doutora!

- Pega o.. o.. que parece um martelo e suga o excesso da boca.

- Pego Doutora, mas cuidado com a boca da menina!

- Ta hoenndo!

- Obrigada! Me passa o alicate!

- Doutora, não ensinaram isso na faculdade! Meu Deus! Não posso olhar!

- Pega gaze! gaze!

- Ta hoehndo ahindha!

- Pega a injeção da anestesia.

- Que dose que prepara, Doutora?

- A menor, se não o próximo fica sem anestesia.

- Ai, valha me Deus Doutora!

- Verifica se a porta tá trancada!

- Pra quê, Doutora!? A senhora acha que a menina não aguenta!? Imagina se alguém acha o corpo!

- Não, Meire! Não fala bobagem! Preciso de um apoio pra poder puxar aqui.

- Oque que a senhora pretende!?

- Dar impulso! você me desculpa por a perna por cima de você, garota, prometo não sujar sua roupa com o sapato.

- Doutora, é uma extração, não uma acrobacia!

- Vou puxar no três!

- Ta hoehndo ! Ta hoehndo nuinto!

- Um... Meire, não se abaixa!

- Desculpa, Doutora.

- Dois... Suga o excesso da boca! e TRÊS!

- UTAH QUE PFAHRIU!



- Como assim, Doutora?

- Nós vamos marcar um retorno.

- Mas a senhora apoiou o pé na porta!

- Querida, aquilo foi método odontológico. É super valorizado nas melhores universidades.

- Não foi o que a Meire disse.

- Por isso que ela é a assistente, e eu sou a dentista.

- Doutora eu não vou voltar.

- Foi porque eu deixei uma pegada na sua blusa?

- Não, Doutora, mas eu não vou voltar.

- Mas o dente não saiu!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Seu Jonas.

- A minha mãe tá dando aula ela não vai atender o celular agora.

- Mas sem a autorização da mãe, a gente não pode liberar a saída da senhora.

- Olha o meu tamanho!

- Me desculpa, minha senhora. Sem autorização a senhora continua aqui dentro.

- Seu Jonas, se eu perder o ônibus, o senhor vai me levar pra casa. E olha que eu moro muito, muito longe.

- Minha senhora, eu não posso te levar pra casa. A senhora quer falar com a Dona Mirtes?

- Ela vai resolver o problema?

- Eu não sei, minha senhora. Vai naquela sala a direita, e conversa com ela. Se ela deixar, pede pra ela avisar pelo radio que eu deixo a senhora sair.



- Dona Mirtes, eu já acabei de fazer prova. Preciso ir embora e o seu Jonas da portaria não quer me deixar sair.

- Porque não?

- Não tem autorização.

- Vamos ligar pra sua mãe, e ela autoriza você sair.

- Dona Mirtes, minha mãe ta dando aula e não vai atender o celular agora.

- Tem que esperar então. Sem autorização eu não posso deixar você sair.

- Se eu perder o ônibus, a senhora vai me levar pra casa. E olha que eu moro muito, muito longe.

- Sei... eu tenho muita coisa pra fazer, muito trabalho pra terminar ainda hoje. Então me deixa trabalhar enquanto a aula da sua mãe não acaba, tudo bem?

- Tudo Dona Mirtes.

- ... Mas... só tem um ônibus?

- Tem um em quinze minutos, e outro só cinco horas da tarde. Me ajuda Dona Mirtes! Eu não posso acampar na escola. Eu preciso ir pra casa! Nunca tive problema com isso.

- São regras novas do colégio, a gente avisou durante a semana.

- Mas só tem eu, a senhora e o Seu Jonas na escola! Quer saber? É vingança do Seu Jonas!

- Porque vingança?

- Porque ele tem que trabalhar sábado.

- O Seu Jonas não parece guardar rancor.

- Ah... Dona Mirtes tava vendo na televisão uma reportagem de sociopatas, eu da senhora tomava cuidado.

- Será? Ele é sempre tão gentil.

- Assim que ele conquista as vítimas...

- ...

- Por favor Dona Mirtes!

- Olha, isso é atípico, só vou autorizar porque se não o Seu Jonas guarda rancor.

- Obrigada, Dona Mirtes ! Até segunda!

- Não ! Volta aqui! Eu vou junto com você.

- Mas e o trabalho, Dona Mirtes?

- Deixa pra quando o Seu Jonas tiver de folga.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Imprevisivel.

Não sei explicar com palavras, o que penso, o que sinto e o que sou. Acho que se super-estima o homem que tenta definir vidas com palavras. Viver é algo além das limitações do dicionário, é algo que não se analisa nem morfológica nem sintaticamente, nem se explica como fazer. Viver é algo que se aprende. Não acho que com pequenos agrupamentos de letras eu abranja toda a magnitude do ser. Não importa o que digam, o ser humano vai sempre além. E a cada dia nos surpreendemos com os outros , mas principalmente nos surpreendemos com nós mesmos. O que somos hoje, não é o mesmo do que seremos amanhã. Portanto, não me peça pra dizer quem sou.