Começa devagar, é quase imperceptível. Eles talvez nasçam por geração espontânea, ou talvez a gente já nasça com os ovos incubados. Não sei se todos tem esse tipo de ser, mas a maioria de nós ja nascemos com eles.
Se proliferam sorrateiros, e quando nos damos por conta, é irreversível. Eles são tipos de vermes, que se alimentam de suposições. Eles crescem pouco a pouco, assim como os mamíferos, não existe troca de quitina, eles vão crescendo e chegam ao ápice de suas vidas gordos. Cheios de idéias e suposições digeridas.
Se rastejam pelo nosso cérebro, contaminando todos os prospecto de felicidade. Desencubam quando lhes convêm. Normalmente em época de dúvidas e inseguranças. Não ajudam, só atrapalham. Causam problemas de saúde e não têm cura. É viral.
Esses pequenos bichos vivem nas entranhas, nos meandro dos nossos pensamentos, tem hábitos noturnos, normalmente nos horários antes de dormir. Os sintomas são dúvida, insegurança, e paranóia. Em alguns casos levam o contaminado a chorar aparentemente sem razão, em casos mais sérios, resultam em palavras sem sentido que podem ser expressadas através de mensagens de texto, telefonemas, emails e já existiu casos de pacientes que se manifestaram através de redes sociais. Provocam indiretas descomunais.
Como sabemos se eles vão agir? Alguns hábitos podem indicar o desenvolvimento desses vírus, como por exemplo ouvir música lenta com temática romântica, com letras de decepção amorosa, ou frustrações com a vida. O silencio do possível infectado também é um indicativo. Outra forma de sintoma é a redundância de um mesmo assunto, ou o destrinchar de momentos vivenciados, que na realidade não significam nada demais. Essa análise repetitiva de um mesmo evento é um estágio mais sério, precisando assim buscar ajuda médica. Esse auxílio médico pode ser substítuido por um pote de dois litros de sorvete de flocos ou uma barra de chocolate.
Fique atento, esse vírus pode infectar qualquer um e a forma de contaminação ainda é desconhecida. Caso tenha se identificado com qualquer uma das descrições acima, procure um ombro amigo que tenha paciencia para te escutar. O melhor a fazer quando infectado é esperar o sintoma passar. Alguns pacientes mantém esse vírus por meses, outros só por uma noite.
Lembre-se, a primeira medida para superar a crise é procurar um amigo.
Observações: Álcool pode ajudar, contanto que não em excesso. O excesso pode provocar uma ressaca física e moral.
sábado, 15 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
O cristal
Puxou-a pelo braço, fincando os dedos sujos de terra, em seu cotovelo. Em um assalto arremessou-a através da sala. Ela voou. Como que por inércia, se deslocou destruindo os móveis pelo caminho até atingir a estante que derrubou todos os livros e bibêlos pelo impacto. Caiu sentada.
Viu um abajur se aproximando, em direção ao seu rosto e jogou o torso para a direita. Estava frágil, vulnerável e sentia um fio quente escorrer pelo nariz. Sentiu o gosto do próprio sangue que entrava pela boca e se espalhava pelos dentes.
Olhou para cima e viu o sol ser encoberto por braços grandes ao lado de costas largas. Ela estava nas sombras. Ele a levantou pelos ombros, com a mesma facilidade que uma mãe levanta um bebê, e deixou-a despencar no sofá azul royal. Ela afundou, tentando atravessar pelas almofadas. Não conseguiu. Ela ainda estava lá.
Ele abriu um botão e com uma mão abaixou o zíper, enquanto com a outra segurava-a pelo queixo, apertando suas bochechas. Ela soçobrava balbuciando por favores que se perdiam em meio a tantos vasos quebrados. Ela se rendeu. Deixou a cabeça cair pelo braço do sofá e aceitou seu destino.
Ela encarava um adorno de cristal, quase podia ver ser reflexo. Passou os olhos pela base heptagonal do arranjo. Era uma peça pontiaguda, que formaca uma espécie de cone. Como a ponta de uma lança. Uma lança. Lança.
Moveu quase que imperceptívelmente o braço em direção à mesa de canto. O braço sacudia em movimentos repetidos que partiam do corpo em cima dela. Ela segurou a peça, como quem segura um punhal, deixou o braço cair, passando o objeto por baixo da saia do sofá. Suas mãos seguravam o cristal com tanta determinação que ela podia sentir as impressões da peça.
Num movimento furtivo, viu o braço fazer um movimento arqueado e instintivo, deixando a peça aterrisar com a ponta fincada na nuca do homem. O movimento parou, e ela sentiu o peso do corpo despencar sobre ela. Podia sentir o calor do sangue, que ainda jorrava, nas mãos. Viu escorrer as hemoglobinas pelos dois lados do pescoço, formando uma gargantilha em que o pingente escorria no peito dela.
Sentia a adrenalina pelo corpo, e soltou vagarosamente a peça de cristal, empurrou o corpo sofá a baixo, se levantou desviando as pernas mortificadas, e tremendo foi até a pia da cozinha, lavou as mãos em desespero, pegou as luvas de borracha, vestiu o sobretudo que estava em cima da mesa, abotoou até o pescoço cobrindo todas as marcas vermelhas do corpo nu e saiu. Vestia as luvas de borracha e os pés descalços. Deixou no apartamento as roupas e a integridade. Nunca contou pra ninguém.
Viu um abajur se aproximando, em direção ao seu rosto e jogou o torso para a direita. Estava frágil, vulnerável e sentia um fio quente escorrer pelo nariz. Sentiu o gosto do próprio sangue que entrava pela boca e se espalhava pelos dentes.
Olhou para cima e viu o sol ser encoberto por braços grandes ao lado de costas largas. Ela estava nas sombras. Ele a levantou pelos ombros, com a mesma facilidade que uma mãe levanta um bebê, e deixou-a despencar no sofá azul royal. Ela afundou, tentando atravessar pelas almofadas. Não conseguiu. Ela ainda estava lá.
Ele abriu um botão e com uma mão abaixou o zíper, enquanto com a outra segurava-a pelo queixo, apertando suas bochechas. Ela soçobrava balbuciando por favores que se perdiam em meio a tantos vasos quebrados. Ela se rendeu. Deixou a cabeça cair pelo braço do sofá e aceitou seu destino.
Ela encarava um adorno de cristal, quase podia ver ser reflexo. Passou os olhos pela base heptagonal do arranjo. Era uma peça pontiaguda, que formaca uma espécie de cone. Como a ponta de uma lança. Uma lança. Lança.
Moveu quase que imperceptívelmente o braço em direção à mesa de canto. O braço sacudia em movimentos repetidos que partiam do corpo em cima dela. Ela segurou a peça, como quem segura um punhal, deixou o braço cair, passando o objeto por baixo da saia do sofá. Suas mãos seguravam o cristal com tanta determinação que ela podia sentir as impressões da peça.
Num movimento furtivo, viu o braço fazer um movimento arqueado e instintivo, deixando a peça aterrisar com a ponta fincada na nuca do homem. O movimento parou, e ela sentiu o peso do corpo despencar sobre ela. Podia sentir o calor do sangue, que ainda jorrava, nas mãos. Viu escorrer as hemoglobinas pelos dois lados do pescoço, formando uma gargantilha em que o pingente escorria no peito dela.
Sentia a adrenalina pelo corpo, e soltou vagarosamente a peça de cristal, empurrou o corpo sofá a baixo, se levantou desviando as pernas mortificadas, e tremendo foi até a pia da cozinha, lavou as mãos em desespero, pegou as luvas de borracha, vestiu o sobretudo que estava em cima da mesa, abotoou até o pescoço cobrindo todas as marcas vermelhas do corpo nu e saiu. Vestia as luvas de borracha e os pés descalços. Deixou no apartamento as roupas e a integridade. Nunca contou pra ninguém.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Panamá
Chegou no café e se deparou com duas estátuas de gesso penduradas na parede. Os anjos olhavam em direções opostas, um zelando a porta e todos que por ali entravam, e outro zelando as xícaras fumegantes de todos os clientes.
Uma das paredes, a rosada, era oposta a uma cortina de fios de miçangas e borboletas que cobria uma parede branca.
Se sentou em um banco almofadado, em frente a uma mesa de três pernas e pôs-se a esperar. Se sentou desleixada, apoiando os pés na parte inferior da mesa, e começou a mordiscar os lábios copiosamente.
Algumas pessoas entraram, outras saíram, e inúmeras xícaras de café fumegaram. Divagando em pensamentos, se deu conta que estava em um café. Os cafés eram os berços dos personagens intrigantes, cheios de mistério, era o ponto de partida dos escritores solitários, das inspirações. Foram em cafés desconhecidos que nasceram grandes clássicos, que nasceram amores, que morreram personagens. Naquele café poderiam ter surgido assassinatos, poesias, aventuras. Muitas mágoas podiam ter sido afogadas em uma daquelas xícaras com asa de porcelana. E ela alí, mordiscando os lábios.
Endireitou a coluna, e tentou fazer um olhar profundo, com ar de quem filosofa sobre a vida. Devia ter ido de chapéu panamá. Uma hora depois, e ela ainda estava lá esperando. Já tinha lido os poemas das paredes, analisado os bolinhos do balcão, decorado os sabores de chicletes no baleiro... Seu olhar misterioso já tinha derretido, e ela podia jurar que a flor amarela dentro da garrafa no centro da mesa tinha murchado levemente.
Não tinha tido nenhuma epifania criativa, a coluna já estava torta. Não sabia o porquê. Se levantou, agradeceu a garçonete e saiu apressadamente, como se tivesse tido uma grande idéia ou tomado uma grande decisão. E ela tinha. Iria comprar um chapéu panamá.
Uma das paredes, a rosada, era oposta a uma cortina de fios de miçangas e borboletas que cobria uma parede branca.
Se sentou em um banco almofadado, em frente a uma mesa de três pernas e pôs-se a esperar. Se sentou desleixada, apoiando os pés na parte inferior da mesa, e começou a mordiscar os lábios copiosamente.
Algumas pessoas entraram, outras saíram, e inúmeras xícaras de café fumegaram. Divagando em pensamentos, se deu conta que estava em um café. Os cafés eram os berços dos personagens intrigantes, cheios de mistério, era o ponto de partida dos escritores solitários, das inspirações. Foram em cafés desconhecidos que nasceram grandes clássicos, que nasceram amores, que morreram personagens. Naquele café poderiam ter surgido assassinatos, poesias, aventuras. Muitas mágoas podiam ter sido afogadas em uma daquelas xícaras com asa de porcelana. E ela alí, mordiscando os lábios.
Endireitou a coluna, e tentou fazer um olhar profundo, com ar de quem filosofa sobre a vida. Devia ter ido de chapéu panamá. Uma hora depois, e ela ainda estava lá esperando. Já tinha lido os poemas das paredes, analisado os bolinhos do balcão, decorado os sabores de chicletes no baleiro... Seu olhar misterioso já tinha derretido, e ela podia jurar que a flor amarela dentro da garrafa no centro da mesa tinha murchado levemente.
Não tinha tido nenhuma epifania criativa, a coluna já estava torta. Não sabia o porquê. Se levantou, agradeceu a garçonete e saiu apressadamente, como se tivesse tido uma grande idéia ou tomado uma grande decisão. E ela tinha. Iria comprar um chapéu panamá.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Modernismo
Era a terceira. em menos de quatro meses após o término, essa era a terceira namorada. Significava muito. Significava que os erros não eram só dela. Quem estragava três relacionamentos em menos de quatro meses, não podia ser perfeito. Ele dizia que o primeiro foi de raiva do término com ela, e o segundo nunca foi explicado, não que ele devesse explicações, afinal ela que terminara tudo quatro meses antes.
Ela já tinha dito que o término fora um erro, que tinha se arrependido, e ele disse que estava com saudades, que queria conversar. Ficou combinado que conversariam quando ela voltasse pra cidade, pelo menos foi o que ela entendeu, mas em menos de três semanas, ele já estava anunciando publicamente que tinha outra.
Ela era fiel. Era fiel a si mesma, fiel ao que sentia e o que tinha dito sobre querer conversar, querer encontrar, querer ver, tocar, beijar. Ela sempre foi honesta. Só não tinha a certeza de que ele também fora. A terceira foi a gota d'água. Quem é sincero sobre a saudade não arranja outra com tanta eficiência.
Ela tinha uma filosofia, de que se um dia fosse ficar com alguém seria por mútua vontade. Não queria ter que se esforçar incessantemente para provar que estar com ela era o suficiente. Queria alguém que soubesse disso, e que não estivesse sempre a beira de cair em tentação. No entanto, queria que ele soubesse disso. E não outro qualquer.
Não tinha mais conversa, não tinha mais nada a ser dito. Só restava a ser sentido. Arrumou suas coisas e decidiu que voltaria a cidade. Mas minutos antes de avisá-lo que estaria de volta, viu que agora existia a a terceira. Olhou na tela do computador e só conseguia ver que agora tinha mais uma. Sentiu um calor, uma raiva que se espalhava partindo do estômago. Uma raiva não dele, uma auto-depreciação. Como pudera não perceber os sinais que ele sempre emitia de que ela também era mais uma, ela fora a terceira para outra.
Ela não era especial, e tudo aquilo que ela achou que fosse só existiu na impressão. Ele era um homem, como outro qualquer, que procurava alguma qualquer, que não importava se era ela, ou as outras três. Ela fazia parte do montante.
Fazia parte do montante. Do mon-tan-te. A realização disso, fez o vidro se quebrar. A ilusão havia se partido. E por mais que aceitasse, que nada nunca fora tão especial quanto tinha acreditado, tudo que queria era que ele viesse e juntasse os cacos estilhaçados e começasse a colar. Pedaço a pedaço, transformando-os em uma obra de arte. Um picasso, que mesmo torto, e mesmo com rachaduras de tinta, se mostrava completo e pronto para ser exposto, visto e apreciado. Queria pra vida um romance modernista. Queria ser 'A boba'. Sem ser tripudiada. Queria ter um ‘homem amarelo’, com um toque de azul. Queria ser 'Guernica', porque onde existe guerra existe amor. Queria ter arte.
Ela já tinha dito que o término fora um erro, que tinha se arrependido, e ele disse que estava com saudades, que queria conversar. Ficou combinado que conversariam quando ela voltasse pra cidade, pelo menos foi o que ela entendeu, mas em menos de três semanas, ele já estava anunciando publicamente que tinha outra.
Ela era fiel. Era fiel a si mesma, fiel ao que sentia e o que tinha dito sobre querer conversar, querer encontrar, querer ver, tocar, beijar. Ela sempre foi honesta. Só não tinha a certeza de que ele também fora. A terceira foi a gota d'água. Quem é sincero sobre a saudade não arranja outra com tanta eficiência.
Ela tinha uma filosofia, de que se um dia fosse ficar com alguém seria por mútua vontade. Não queria ter que se esforçar incessantemente para provar que estar com ela era o suficiente. Queria alguém que soubesse disso, e que não estivesse sempre a beira de cair em tentação. No entanto, queria que ele soubesse disso. E não outro qualquer.
Não tinha mais conversa, não tinha mais nada a ser dito. Só restava a ser sentido. Arrumou suas coisas e decidiu que voltaria a cidade. Mas minutos antes de avisá-lo que estaria de volta, viu que agora existia a a terceira. Olhou na tela do computador e só conseguia ver que agora tinha mais uma. Sentiu um calor, uma raiva que se espalhava partindo do estômago. Uma raiva não dele, uma auto-depreciação. Como pudera não perceber os sinais que ele sempre emitia de que ela também era mais uma, ela fora a terceira para outra.
Ela não era especial, e tudo aquilo que ela achou que fosse só existiu na impressão. Ele era um homem, como outro qualquer, que procurava alguma qualquer, que não importava se era ela, ou as outras três. Ela fazia parte do montante.
Fazia parte do montante. Do mon-tan-te. A realização disso, fez o vidro se quebrar. A ilusão havia se partido. E por mais que aceitasse, que nada nunca fora tão especial quanto tinha acreditado, tudo que queria era que ele viesse e juntasse os cacos estilhaçados e começasse a colar. Pedaço a pedaço, transformando-os em uma obra de arte. Um picasso, que mesmo torto, e mesmo com rachaduras de tinta, se mostrava completo e pronto para ser exposto, visto e apreciado. Queria pra vida um romance modernista. Queria ser 'A boba'. Sem ser tripudiada. Queria ter um ‘homem amarelo’, com um toque de azul. Queria ser 'Guernica', porque onde existe guerra existe amor. Queria ter arte.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
O vácuo
Minha irmã costuma dizer que tem medo quando eu fico muito tempo em silêncio. Ela diz que queria estar na minha cabeça, pra entender meus pensamentos. Na realidade, tem horas que nem eu queria saber o que eu estou pensando.
Me desliguei do mundo nos últimos dias, me dediquei a assistir séries, desenhar, e pensar em quantas colheres de arroz eu vou comer no almoço. Eu tento fugir de questionamentos, e fico fazendo planos pra alcançar uma meta que até agora só existe na minha cabeça.
Tenho uma lista de coisas que eu preciso fazer, e-mails que eu preciso mandar, projetos que eu preciso escrever. Mas como eu disse, há dias que eu me dedico a colher plantas de coração em um joguinho do facebook.
O fazer nada me deu tempo pra pensar em posicionamentos que eu queria ter, quilos que eu queria perder, livros que eu queria ler e a disposição que eu queria ter pra tudo isso.
Acordei me achando feia esses dias, não saí de casa pra não sujeitar ninguém a minha feiúra psicológica. Minha mãe me diz que eu sou linda, prefiro acreditar nela. Preciso fazer a sobrancelha, e tirar o meu esmalte que começou a descascar. Recusei convites pra sair com meus amigos. O único dia em que eu aceitei sair de casa eu acabei mandando mensagens bêbadas pra um amigo as três da manhã. Tirando esse dia, a única pessoa que me viu recentemente veio até a minha casa.
Quão deprimente é isso? Nem um pouco. Estou adorando me sentir a gata borralheira, e não ter que sair na rua pra não cumprimentar ninguém. Eu provavelmente vá cansar disso daqui 3 ou 4 dias, e a realidade vai bater à minha porta. Mas até lá, eu estou feliz com uma mente vazia. E posso assegurar a minha irmã que não tem nada aqui dentro digno de se sentir medo. Aliás eu posso assegurá-la que aqui dentro não tem nada. Nada mesmo.
Me desliguei do mundo nos últimos dias, me dediquei a assistir séries, desenhar, e pensar em quantas colheres de arroz eu vou comer no almoço. Eu tento fugir de questionamentos, e fico fazendo planos pra alcançar uma meta que até agora só existe na minha cabeça.
Tenho uma lista de coisas que eu preciso fazer, e-mails que eu preciso mandar, projetos que eu preciso escrever. Mas como eu disse, há dias que eu me dedico a colher plantas de coração em um joguinho do facebook.
O fazer nada me deu tempo pra pensar em posicionamentos que eu queria ter, quilos que eu queria perder, livros que eu queria ler e a disposição que eu queria ter pra tudo isso.
Acordei me achando feia esses dias, não saí de casa pra não sujeitar ninguém a minha feiúra psicológica. Minha mãe me diz que eu sou linda, prefiro acreditar nela. Preciso fazer a sobrancelha, e tirar o meu esmalte que começou a descascar. Recusei convites pra sair com meus amigos. O único dia em que eu aceitei sair de casa eu acabei mandando mensagens bêbadas pra um amigo as três da manhã. Tirando esse dia, a única pessoa que me viu recentemente veio até a minha casa.
Quão deprimente é isso? Nem um pouco. Estou adorando me sentir a gata borralheira, e não ter que sair na rua pra não cumprimentar ninguém. Eu provavelmente vá cansar disso daqui 3 ou 4 dias, e a realidade vai bater à minha porta. Mas até lá, eu estou feliz com uma mente vazia. E posso assegurar a minha irmã que não tem nada aqui dentro digno de se sentir medo. Aliás eu posso assegurá-la que aqui dentro não tem nada. Nada mesmo.
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