Tenho arrepiado com frequência desde domingo de manhã. Acordei e entrei no facebook, para saber das notícias da festa anterior, ou dar risada em algum site. Meia hora depois, uma amiga me envia um link de um site de notícias. Começamos a acompanhar o incêncio na boate em Santa Maria.
As notícias iam sendo publicadas e o número de vítimas aumentando. Primeiro 90 mortos, depois 150, 200, até chegar no número 234. Duzentos e trinta e quatro pessoas não voltaram pra casa no dia 26 de fevereiro de 2013.
Para termos dimensão, consideremos um prédio de 2 apartamentos por andar, com 3 moradores por apartamento, e 8 andares. Nesse incêndio morreu gente suficiente para povoar 5 prédios como esse. Morreu uma sala cheia de cinema, morreram quatro ônibus lotados.
Em questão de segundos, o fogo tomou 234 sonhos para si. 234 filhos, 234amigos. Em meio as chamas se perderam amores, se perderam planos.
Minhas condolências àqueles que ficaram. Aos sobreviventes, e àqueles que agora tem que reaprender a viver com uma peça faltando. Minhas condolências aos pais, que agora estão orfãos, minhas condolências aos estudantes que vão se formar sem seus amigos. Condolências aos que perderam seus amigos de infância, seus primos, netos e sobrinhos.
Eu sinto muito. Sinto muito mesmo. À todos que perderam alguém, desejo muita força e muita coragem pra seguir adiante. Desejo serenidade para que compreendam o que aconteceu.
Boa sorte a todos, pois a jornada vai ser longa. Envio minhas boas energias.
Com todo o carinho que uma desconhecida pode oferecer,
Jullia
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
domingo, 2 de dezembro de 2012
Amanhã isso passa
Não consigo dormir.
Já virei para um lado, para o outro, e nada. Estou agora de barriga pra baixo, pra não ter que encarar o teto.
Me cubro e sinto calor, descubro e sinto frio. Meu travesseiro não está aconchegante, meu colchão me parece duro e minha cabeça está cheia de coisas que eu não sei descrever.
Minha companheira de casa fica vagando pela casa tentando suar suas saudades, a outra fechou a porta do quarto para tentar construir histórias. E eu aqui, no meio do caminho sem saber explicar porque que o sono não vem.
Os bocejos me fazem companhia, e as lágrimas também. Não é nada triste, eu só costumo lacrimejar quando estou cansada.
Acho que é isso, estou cansada.
Cansada dessa batalha diária, cansada de me esforçar pra ser oca, pra não sentir as coisas.
Cansada de acordar com ressaca moral, e não ler o material que eu preciso. Cansada de não adiantar minhas matérias na faculdade, de deixar tudo pra última hora.
Cansada de saber que não vou passar dezembro em casa, de saber que não estou acompanhando minha prima crescer.
Cansada de dizer pras pessoas tudo o que eu preciso fazer, e no fim do dia não ter produzido nada.
Cansada dos outros que ao invés de escreverem a própria história passam as tardes falando da minha, se achando no direito de me dizer o que é certo e o que é errado.
Acho que é isso, estou cansada.
Mas amanhã tudo isso passa. E pra amanhã chegar, eu preciso dormir.
Já virei para um lado, para o outro, e nada. Estou agora de barriga pra baixo, pra não ter que encarar o teto.
Me cubro e sinto calor, descubro e sinto frio. Meu travesseiro não está aconchegante, meu colchão me parece duro e minha cabeça está cheia de coisas que eu não sei descrever.
Minha companheira de casa fica vagando pela casa tentando suar suas saudades, a outra fechou a porta do quarto para tentar construir histórias. E eu aqui, no meio do caminho sem saber explicar porque que o sono não vem.
Os bocejos me fazem companhia, e as lágrimas também. Não é nada triste, eu só costumo lacrimejar quando estou cansada.
Acho que é isso, estou cansada.
Cansada dessa batalha diária, cansada de me esforçar pra ser oca, pra não sentir as coisas.
Cansada de acordar com ressaca moral, e não ler o material que eu preciso. Cansada de não adiantar minhas matérias na faculdade, de deixar tudo pra última hora.
Cansada de saber que não vou passar dezembro em casa, de saber que não estou acompanhando minha prima crescer.
Cansada de dizer pras pessoas tudo o que eu preciso fazer, e no fim do dia não ter produzido nada.
Cansada dos outros que ao invés de escreverem a própria história passam as tardes falando da minha, se achando no direito de me dizer o que é certo e o que é errado.
Acho que é isso, estou cansada.
Mas amanhã tudo isso passa. E pra amanhã chegar, eu preciso dormir.
Incompreensão
Li um texto sobre a solidão, sobre o nosso medo de estarmos sós. Nosso esforço constante para estarmos acompanhados, ou sozinhos porém não solitários. Conviver consigo é sempre um desafio, é o momento em que conseguimos descobrir a nós mesmos.
Talvez o medo não seja da solidão, e sim do barulho que a mente faz quando estamos em silêncio.
A solidão é incompreendida.
É ela que nos faz companhia quando ninguém mais a faz. Talvez ela seja nossa maior companheira. A única que nos acompanha nos momentos bons e ruins. Somos sempre companhia a nós mesmos. Somos sempre solidão.
É sempre bom lembrar que onde quer que a gente vá, a gente se leva junto.
Se arrumarmos nossas mochilas e seguirmos em direção ao fim do mundo, junto com nossas roupas, levaremos nossas dores, amores e frustrações. Levaremos nossas verdades, tão absolutas quanto nossas concepções inconstantes. Levaremos a solidão, nossa eterna companheira.
Companhia nada mais é do que várias solidões juntas. A gente é que luta pra tentar achar características semelhantes a daquelas pessoas que convivemos. Querendo ou não, acreditamos que precisamos do outro para ser feliz.
Lembrem-se: O medo não é da solidão. O medo é de nós mesmos.
Talvez o medo não seja da solidão, e sim do barulho que a mente faz quando estamos em silêncio.
A solidão é incompreendida.
É ela que nos faz companhia quando ninguém mais a faz. Talvez ela seja nossa maior companheira. A única que nos acompanha nos momentos bons e ruins. Somos sempre companhia a nós mesmos. Somos sempre solidão.
É sempre bom lembrar que onde quer que a gente vá, a gente se leva junto.
Se arrumarmos nossas mochilas e seguirmos em direção ao fim do mundo, junto com nossas roupas, levaremos nossas dores, amores e frustrações. Levaremos nossas verdades, tão absolutas quanto nossas concepções inconstantes. Levaremos a solidão, nossa eterna companheira.
Companhia nada mais é do que várias solidões juntas. A gente é que luta pra tentar achar características semelhantes a daquelas pessoas que convivemos. Querendo ou não, acreditamos que precisamos do outro para ser feliz.
Lembrem-se: O medo não é da solidão. O medo é de nós mesmos.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Ao infinito e além
É bom te ver.
Te falar oi e só. Saber que está bem, está vivo, que ainda sorri.
Fiquei sorrindo por alguns minutos quando fui embora. Um sorriso aliviado, um sorriso leve.
Gosto muito de você, mais do que você imagina, e não menos do que eu deveria. Não é um peso, não é um fardo, e de todas as memórias eu só me lembro das boas. As nem tão boas assim hoje tomam um ar de graça, e quando me veem a mente, rio das besteiras que nos levaram até as más histórias bem vividas.
Não me entenda mal, não te quero de volta, nem acho que você seja o homem da minha vida. Mas, mesmo sem querer, você se tornou um marco, integrou uma época muito boa e bem aproveitada.
Quero te encontrar muitas vezes ainda, nem que seja que nem hoje, um oi, um abraço mal dado e uma despedida breve.
Por alguma razão, me faz bem te ver feliz.
Te falar oi e só. Saber que está bem, está vivo, que ainda sorri.
Fiquei sorrindo por alguns minutos quando fui embora. Um sorriso aliviado, um sorriso leve.
Gosto muito de você, mais do que você imagina, e não menos do que eu deveria. Não é um peso, não é um fardo, e de todas as memórias eu só me lembro das boas. As nem tão boas assim hoje tomam um ar de graça, e quando me veem a mente, rio das besteiras que nos levaram até as más histórias bem vividas.
Não me entenda mal, não te quero de volta, nem acho que você seja o homem da minha vida. Mas, mesmo sem querer, você se tornou um marco, integrou uma época muito boa e bem aproveitada.
Quero te encontrar muitas vezes ainda, nem que seja que nem hoje, um oi, um abraço mal dado e uma despedida breve.
Por alguma razão, me faz bem te ver feliz.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Intertexto
Ontem eu cantarolava que se amanhã não fosse nada disso caberia a mim esquecer, e o que ganhasse e o que perdesse ninguém precisaria saber.
Não era nada daquilo.
Eu sei que ninguém precisa saber, mas eu não me contento, preciso contar pra todo mundo ouvir. Ganhei aprendizado, experiências, uma pessoa sensacional que passou pela minha vida, agora ganhei liberdade, serenidade e percepção. Ganhei certezas, e dúvidas, ganhei dias bons, abraços confortáveis e cervejas em boa companhia. Ganhei conhecimento e algumas tristezas.
Perdi uma possibilidade, um prospecto e uma vontade. Perdi tempo, dedicação e bom humor. Perdi disposição e a paciência. Perdi futuras boas caminhadas, futuras cervejas geladas e futuras novidades diárias. Acho que perdi um amigo.
Achava bonito ser abstrato, e achava que verdade era fugaz, era uma idéia que existia na cabeça e não tinha a menor obrigação de acontecer.
Não aconteceu.
Não era nada daquilo.
Eu sei que ninguém precisa saber, mas eu não me contento, preciso contar pra todo mundo ouvir. Ganhei aprendizado, experiências, uma pessoa sensacional que passou pela minha vida, agora ganhei liberdade, serenidade e percepção. Ganhei certezas, e dúvidas, ganhei dias bons, abraços confortáveis e cervejas em boa companhia. Ganhei conhecimento e algumas tristezas.
Perdi uma possibilidade, um prospecto e uma vontade. Perdi tempo, dedicação e bom humor. Perdi disposição e a paciência. Perdi futuras boas caminhadas, futuras cervejas geladas e futuras novidades diárias. Acho que perdi um amigo.
Achava bonito ser abstrato, e achava que verdade era fugaz, era uma idéia que existia na cabeça e não tinha a menor obrigação de acontecer.
Não aconteceu.
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