Escrito em 20/03/2013
Não estou sentindo nada. Nem medo, nem calor, nem fogo. Não consigo mais chorar nem rir já faz uns dias. Não sinto nada. As vezes eu rio mas não solto uma lágrima de alegria há algum tempo.
Alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha. Por favor uma emoção pequena, qualquer coisa que se sinta, tem tantos sentimentos deve ter algum que sirva. Sério, estou congelada, não sinto dó, não sinto pena, não acho a vida linda, a grama não está verde. A emoção acabou.
Alguma rua que me dê sentido. Porque ultimamente tenho andado a esmo. Na realidade, ando a esmo em um aspecto da minha vida. Em inúmeros outros estou focada. Viagens por exemplo. Acho que é sede. Sede de gente nova, de experiências inéditas.
Já não sinto amor nem dor, já nem sinto nada. Só sinto tédio, preguiça e vontade de protelar. Como se o corpo funcionasse, mas a mente estivesse em stand-by. Uma mente latente, presa em um corpo que não pode parar. Socorro!
domingo, 2 de junho de 2013
domingo, 7 de abril de 2013
Hermano
A pressão nos ouvidos, os bocejos com ausência de sono, a torcida para que ninguém sente ao seu lado pra poder dormir melhor, o barulho ensurdecerdor que depois de alguns minutos passa despercebido, as comissárias de bordo andando de um lado para o outro dizendo para que você coloque sua bolsa em baixo do assento a sua frente, afivele o cinto, volte a cadeira para a posição inicial... Tudo isso é contagioso, muito contagioso.
Eu fui infectada por esse vírus há algum tempo. E como todo vírus, ele pode não estar visível para os outros em atividade, mas ele mora em você.
Estou no avião e ganhei na loteria. Ninguém sentou no conjunto de três cadeiras. Pernas esticadas, computador no colo, fone de ouvido (ao contrário do tiozinho vendo vídeo de futebol no ipad), e um chocolate. Sim, comprei um Lindt no Free shop.
Queria intensamente estar em vários lugares ao mesmo tempo (poderia inumerá-los, não vou). Mas um dos lugares é aqui mesmo. De cabelo sujo, moletom de boas lembranças e cheia de expectativas comedidas.
Quero chegar, descobrir novas respostas, reciclar as perguntas. Perceber mais uma vez que a terra é muito grande e eu sou muito pequena. Lembrar que, por mais que eu tente, não posso abraçar o mundo e nunca vou ver dele tudo o que eu deveria. Ver o que está fora para tentar entender o que está dentro. É uma necessidade vital que me gera entendimento. E inevitávelmente muda as perguntas. Mas a vida é assim, a gente nunca alcança, nunca ultrapassa.
Só peço que venha. Venha em formato de avalanche e arrebata tudo que não está no lugar. E o que estiver que se mantenha. Hasta la vista, chicos.
Eu fui infectada por esse vírus há algum tempo. E como todo vírus, ele pode não estar visível para os outros em atividade, mas ele mora em você.
Estou no avião e ganhei na loteria. Ninguém sentou no conjunto de três cadeiras. Pernas esticadas, computador no colo, fone de ouvido (ao contrário do tiozinho vendo vídeo de futebol no ipad), e um chocolate. Sim, comprei um Lindt no Free shop.
Queria intensamente estar em vários lugares ao mesmo tempo (poderia inumerá-los, não vou). Mas um dos lugares é aqui mesmo. De cabelo sujo, moletom de boas lembranças e cheia de expectativas comedidas.
Quero chegar, descobrir novas respostas, reciclar as perguntas. Perceber mais uma vez que a terra é muito grande e eu sou muito pequena. Lembrar que, por mais que eu tente, não posso abraçar o mundo e nunca vou ver dele tudo o que eu deveria. Ver o que está fora para tentar entender o que está dentro. É uma necessidade vital que me gera entendimento. E inevitávelmente muda as perguntas. Mas a vida é assim, a gente nunca alcança, nunca ultrapassa.
Só peço que venha. Venha em formato de avalanche e arrebata tudo que não está no lugar. E o que estiver que se mantenha. Hasta la vista, chicos.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Espetáculo
E o céu era azul.
E a vida continuava, os compromissos se aproximavam, os horários também.
E de repente o céu era cinza.
E a vida parou. A chuva caia, lavava o ar, o chão, os cabelos. Raios, trovões, o ar se renovava, levando a chuva para todos os lados. Os compromissos tiveram que esperar e os horários se perderam.
E então o céu era ocre.
A chuva parou, a vida voltou e os afazeres também.
Aos poucos o céu mudou.
E logo o céu era amarelo. Amarelo como nunca antes visto.
Um arco-íris cortava o ar, e o meu mundo parou.
Me apaixonei. Me apaixonei pelas cores, me apaixonei pelo tom que lentamente se tornava alaranjado e mais tarde se tornou vermelho carmesim. Quase magenta.
O céu fez seu próprio arco-íris, cor a cor. Lentamente se aproximou do roxo, e passou pelo azul. Agora ele está negro, a noite chegou. Um espetáculo com duração de uma hora. Cores inimagináveis, e um protagonista maravilhoso.
Que céu, meu deus, que céu.
E a vida continuava, os compromissos se aproximavam, os horários também.
E de repente o céu era cinza.
E a vida parou. A chuva caia, lavava o ar, o chão, os cabelos. Raios, trovões, o ar se renovava, levando a chuva para todos os lados. Os compromissos tiveram que esperar e os horários se perderam.
E então o céu era ocre.
A chuva parou, a vida voltou e os afazeres também.
Aos poucos o céu mudou.
E logo o céu era amarelo. Amarelo como nunca antes visto.
Um arco-íris cortava o ar, e o meu mundo parou.
Me apaixonei. Me apaixonei pelas cores, me apaixonei pelo tom que lentamente se tornava alaranjado e mais tarde se tornou vermelho carmesim. Quase magenta.
O céu fez seu próprio arco-íris, cor a cor. Lentamente se aproximou do roxo, e passou pelo azul. Agora ele está negro, a noite chegou. Um espetáculo com duração de uma hora. Cores inimagináveis, e um protagonista maravilhoso.
Que céu, meu deus, que céu.
sábado, 9 de março de 2013
Renato
É uma época de apatia. Algumas coisas me alegram, algumas coisas me chateiam. Meu mau humor está presente aonde quer que eu vá. Talvez não esteja tão divertida, interessante ou dedicada.
Não sei a causa, sei os sintomas. Posso culpar o fim do semestre, a saudade, a incerteza ou a ausência de pés no chão. Posso culpar inúmeras e incontáveis coisas, mas no fundo acho que sou eu mesma. Sou eu que talvez esteja procurando algo que não existe, e que na realidade nem sei o que é.
Li uma frase que mexeu comigo na última semana: 'Cada um tem o amor que acha que merece'. Não sei o porque de ter me incomodado tanto, e não me refiro ao amor de casal, me refiro ao amor em geral, amor à rotina, amor à amizades, amor ao que faço, amor à vida. Talvez eu não saiba que amor eu acho que mereço, ou se mereço amor algum.
Não é depressão, nem pensamentos negativos, é só um questionamento.
Peço perdão aos que tem apanhado das minhas palavras, sei que bati, só não sei o porque, ou como remediar. Talvez ache que não mereça o amor de vocês. Ou talvez seja só uma fase apática.
A vida continua e se entregar é uma bobagem.
Não sei a causa, sei os sintomas. Posso culpar o fim do semestre, a saudade, a incerteza ou a ausência de pés no chão. Posso culpar inúmeras e incontáveis coisas, mas no fundo acho que sou eu mesma. Sou eu que talvez esteja procurando algo que não existe, e que na realidade nem sei o que é.
Li uma frase que mexeu comigo na última semana: 'Cada um tem o amor que acha que merece'. Não sei o porque de ter me incomodado tanto, e não me refiro ao amor de casal, me refiro ao amor em geral, amor à rotina, amor à amizades, amor ao que faço, amor à vida. Talvez eu não saiba que amor eu acho que mereço, ou se mereço amor algum.
Não é depressão, nem pensamentos negativos, é só um questionamento.
Peço perdão aos que tem apanhado das minhas palavras, sei que bati, só não sei o porque, ou como remediar. Talvez ache que não mereça o amor de vocês. Ou talvez seja só uma fase apática.
A vida continua e se entregar é uma bobagem.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Santa Maria mãe de Deus
Tenho arrepiado com frequência desde domingo de manhã. Acordei e entrei no facebook, para saber das notícias da festa anterior, ou dar risada em algum site. Meia hora depois, uma amiga me envia um link de um site de notícias. Começamos a acompanhar o incêncio na boate em Santa Maria.
As notícias iam sendo publicadas e o número de vítimas aumentando. Primeiro 90 mortos, depois 150, 200, até chegar no número 234. Duzentos e trinta e quatro pessoas não voltaram pra casa no dia 26 de fevereiro de 2013.
Para termos dimensão, consideremos um prédio de 2 apartamentos por andar, com 3 moradores por apartamento, e 8 andares. Nesse incêndio morreu gente suficiente para povoar 5 prédios como esse. Morreu uma sala cheia de cinema, morreram quatro ônibus lotados.
Em questão de segundos, o fogo tomou 234 sonhos para si. 234 filhos, 234amigos. Em meio as chamas se perderam amores, se perderam planos.
Minhas condolências àqueles que ficaram. Aos sobreviventes, e àqueles que agora tem que reaprender a viver com uma peça faltando. Minhas condolências aos pais, que agora estão orfãos, minhas condolências aos estudantes que vão se formar sem seus amigos. Condolências aos que perderam seus amigos de infância, seus primos, netos e sobrinhos.
Eu sinto muito. Sinto muito mesmo. À todos que perderam alguém, desejo muita força e muita coragem pra seguir adiante. Desejo serenidade para que compreendam o que aconteceu.
Boa sorte a todos, pois a jornada vai ser longa. Envio minhas boas energias.
Com todo o carinho que uma desconhecida pode oferecer,
Jullia
As notícias iam sendo publicadas e o número de vítimas aumentando. Primeiro 90 mortos, depois 150, 200, até chegar no número 234. Duzentos e trinta e quatro pessoas não voltaram pra casa no dia 26 de fevereiro de 2013.
Para termos dimensão, consideremos um prédio de 2 apartamentos por andar, com 3 moradores por apartamento, e 8 andares. Nesse incêndio morreu gente suficiente para povoar 5 prédios como esse. Morreu uma sala cheia de cinema, morreram quatro ônibus lotados.
Em questão de segundos, o fogo tomou 234 sonhos para si. 234 filhos, 234amigos. Em meio as chamas se perderam amores, se perderam planos.
Minhas condolências àqueles que ficaram. Aos sobreviventes, e àqueles que agora tem que reaprender a viver com uma peça faltando. Minhas condolências aos pais, que agora estão orfãos, minhas condolências aos estudantes que vão se formar sem seus amigos. Condolências aos que perderam seus amigos de infância, seus primos, netos e sobrinhos.
Eu sinto muito. Sinto muito mesmo. À todos que perderam alguém, desejo muita força e muita coragem pra seguir adiante. Desejo serenidade para que compreendam o que aconteceu.
Boa sorte a todos, pois a jornada vai ser longa. Envio minhas boas energias.
Com todo o carinho que uma desconhecida pode oferecer,
Jullia
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