quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Hoje
Sento e tento compor uma linha, uma história. Nada me satisfaz. As palavras me fogem, os sinônimos me escapam. A poesia não existe. Então me ocorre a possibilidade das minhas palavras já estarem escritas, minhas frases já estarem formadas e minhas rimas, que não existem, ja estarem rimadas. E se a fonte secou? A nascente morreu? E se o prazer de traduzir em palavras as coisas que penso, que sinto, foi me tirado do mesmo modo que do desespero se tiraria o grito? Hoje me sinto muda.
domingo, 15 de agosto de 2010
Updating
Perdao pela ausencia, estava viajando e ocupada com coisas da escola. Escrevi algumas coisas, mas eu nao gostei do resultado. As palavras me fogem, e eu nao consigo descrever o que eu pretendo. Escrevi uma coisa diferente do normal, uma musica. Esta em ingles, e eu nao vou traduzir. (:
You don’t know and neither do i.
Have a cup of tea, stay for the night.
What else can we do? Maybe try to find out?
Well, I don’t know, have a cup of life.
You knocked on my door, saying you wanted to chat.
Take your feet off the table, put it here on my lap.
What do you wanna do? Watch a movie or so?
One sugar or two? A little bit of milk?
Wouldn’t it be easier if we already knew?
I agree with you, I read this movie review.
You said ‘I love you’, that’s not fair.
Please don’t stop smiling, keep touching my hair.
You cant come here saying ‘I changed my mind’
Stop, you know that tickles, you are making me smile.
With our heads this close I can hear your breathe
You are so warm, time made me forget.
You are holding my face, looking at me in the eye
I can’t move my legs, I feel some butterflies.
Wait. Stop. I must talk to you.
You broke my heart in thousand pieces or two.
I could be nice and let you explain,
But, do you know what? Get out of my face.
You came back, I can’t believe.
Could you please shut the door when you leave?
You don’t know and neither do i.
Have a cup of tea, stay for the night.
What else can we do? Maybe try to find out?
Well, I don’t know, have a cup of life.
You knocked on my door, saying you wanted to chat.
Take your feet off the table, put it here on my lap.
What do you wanna do? Watch a movie or so?
One sugar or two? A little bit of milk?
Wouldn’t it be easier if we already knew?
I agree with you, I read this movie review.
You said ‘I love you’, that’s not fair.
Please don’t stop smiling, keep touching my hair.
You cant come here saying ‘I changed my mind’
Stop, you know that tickles, you are making me smile.
With our heads this close I can hear your breathe
You are so warm, time made me forget.
You are holding my face, looking at me in the eye
I can’t move my legs, I feel some butterflies.
Wait. Stop. I must talk to you.
You broke my heart in thousand pieces or two.
I could be nice and let you explain,
But, do you know what? Get out of my face.
You came back, I can’t believe.
Could you please shut the door when you leave?
sábado, 26 de junho de 2010
Cinco Minutos
Levou a chama até a ponta do cigarro, a fumaça entrou pela garganta e preencheu os pulmões tentando amenizar a angústia percorrendo suas veias.
Ela estava morrendo, sentia seus órgãos se decompondo, o câncer era como o vento que consumia seu cigarro de forma mais rápida que os seus pulmões. O cigarro era a vida.
Riu com a ironia e tragou mais uma vez.
O instinto sustentava os olhos marejados, tentando impedir as lágrimas de escapar. As lágrimas, quando escorriam, eram pesadas e despencavam acertando o chão de terra.
Ela queria poder parar o tempo, parar as horas pra descansar. Cinco minutos de intervalo antes de voltar a definhar.
A próxima lágrima estava pronta. Passou o indicador pressionando a pálpebra inferior e roubou a gota salgada para si. Segurou o cigarro na mão oposta e esperou até a lágrima despencar dos dedos e acertar a brasa.
O cigarro apagou e ela sorriu.
Ela estava morrendo, sentia seus órgãos se decompondo, o câncer era como o vento que consumia seu cigarro de forma mais rápida que os seus pulmões. O cigarro era a vida.
Riu com a ironia e tragou mais uma vez.
O instinto sustentava os olhos marejados, tentando impedir as lágrimas de escapar. As lágrimas, quando escorriam, eram pesadas e despencavam acertando o chão de terra.
Ela queria poder parar o tempo, parar as horas pra descansar. Cinco minutos de intervalo antes de voltar a definhar.
A próxima lágrima estava pronta. Passou o indicador pressionando a pálpebra inferior e roubou a gota salgada para si. Segurou o cigarro na mão oposta e esperou até a lágrima despencar dos dedos e acertar a brasa.
O cigarro apagou e ela sorriu.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Éramos sete.
Pedro foi viajar pra praia pra espairecer, Marina casou e teve dois filhos, Paulo morreu, Renata fugiu de São Paulo, Anderson sumiu com 21, Felipe foi morar na capital e eu fiquei aqui, esperando o Pedro voltar.
sábado, 12 de junho de 2010
Natureza Morta
O sangue escorria pelas luvas e gotejava nos sapatos de veludo. Ela olhava para o corpo com os pés atados no lustre e os cabelos quase tocando o chão. O cadáver nu tinha um corte na garganta e um caminho fresco de lágrimas por entre as sobrancelhas. A boca entre aberta deixava vazar o sangue ainda quente.
Era uma obra de arte. Ela segurou a faca, marcada com as digitais da vítima, apontando pra baixo ao lado da mão dependurada, e deixou cair. Pegou a câmera, tirou duas fotos e escondeu a máquina e as luvas dentro da tábua solta do assoalho. Pegou o telefone, embargou a voz e discou.
- Departamento de Polícia, qual a emergência?
- Su - su... suicídio. – Disse com a voz fingindo desespero.
Nenhuma lágrima escapava dos olhos ainda observando o cadáver.
- Quem é a vítima?
- Minha mãe.
Era uma obra de arte. Ela segurou a faca, marcada com as digitais da vítima, apontando pra baixo ao lado da mão dependurada, e deixou cair. Pegou a câmera, tirou duas fotos e escondeu a máquina e as luvas dentro da tábua solta do assoalho. Pegou o telefone, embargou a voz e discou.
- Departamento de Polícia, qual a emergência?
- Su - su... suicídio. – Disse com a voz fingindo desespero.
Nenhuma lágrima escapava dos olhos ainda observando o cadáver.
- Quem é a vítima?
- Minha mãe.
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