Tem gente que diz que é carma, eu inclusive. Mas digamos que meus relacionamentos amorosos não tenham sido meus maiores sucessos ou conquistas.
Sou de sagitário. Sim, acredito nessas bobagens.
Me apaixono fácil, e desapaixono também. Não sei se já amei alguém.
Tenho suspeitas, mas só vou saber se foi amor quando eu amar alguém de novo. Ou quando amar alguém pela primeira vez.
Sou secretamente romântica, e apesar de não mandar corações na internet, nem chamar aos outros de linduxos, eu gosto de receber flores. Gosto que alguém abra a porta pra mim, e gosto de fazer um sanduiche caso o romance da vez esteja com fome.
Considere seu sanduíche uma prova de amor.
Gosto de conversar, sobre Friends e Almodóvar. Sobre Turma da Mônica e Rousseau. Não sei ficar em silêncio. As vezes me calo, mas a mente continua, e o silêncio é apenas externo.
Sei andar sozinha, sei manejar uma faca, sei socar pomo de Adão.
Sei me virar sozinha, mas as vezes prefiro ter alguem pra me acompanhar, defender e todas essa coisas anti-feministas.
Não sou feminista. Gosto de gentilezas, e que puxem a cadeira pra mim.
Queria gostar de alguém. De preferência que gostasse de mim de volta.
Faz um tempo que meu raciocínio atropela meus sentimentos e eu acabo com as coisas antes de elas se tornarem reais. Ou mais reais.
Não sei exatamente o propósito desse texto, dessas palavras, mas eu preciso desabafar e o teclado não me interrompe pra ver se eu quero pipoca. Ele me escuta. Escuta meus dedos. Já é alguma coisa.
Me pego pensando se algum dia vou deixar a segunda opção. Não para ser a primeira, mas pra ser a única. Minha mãe me disse que leva tempo. Pra ela levou 43 anos. Segundo ela.
Queria sentir o sentimento de só querer um. De só existir um. Mas meus pensamentos divagam por dois, as vezes três, um deles sempre se repete, mas isso é história pra outro dia.
Queria me apaixonar, e sentir borboletas no estômago, teve uma época que eu sentia. A história acabou tão mal que as borboletas foram corroídas pelo meu ácido estomacal.
Talvez minha missão na terra seja curar o coração das pessoas. Elas ficam comigo e logo começam a namorar. Outra, que não sou eu.
Vou começar a vender meus serviços, já tenho 8 clientes satisfeitos. Acho que é carma, macumba, não sei. Mas funciona. O serviço vai custar 50 reais por cada vez que eu pensar em você, com um desconto de 10 reais a cada vez que você pensar em mim. Vou elaborar melhor meu plano de venda e negócios.
Eu queria não ter que me preocupar em ser interessante, queria ser interessante sem esforço, do mesmo jeito que a gente faz com amigos. Amigos eu tenho. Serve?
Não.
Nada contra meus amigos, adoro meus amigos, as vezes até fico com meus amigos. Mas não, queria algo diferente. Algo maior que eu, existe ou é tudo invenção de Hollywood?
As pessoas realmente se apaixonam ou elas se acomodam e se convencem que elas estão living the dream? Existe amor? Amor com ‘a’ maiúsculo?
Ou o amor é um tipo de pé grande, que todo mundo sabe como se parece, descreve conta histórias, sabe onde ele mora, mas na verdade nunca viu?
Esse texto não faz mais sentido, mas o que é que tem? A vida também não faz.
domingo, 6 de maio de 2012
domingo, 30 de outubro de 2011
Clarice
- Anda cá comigo.
- Não quero.
- Por medo?
- Por não querer.
- Te queria.
- Me queria como?
- Andando cá comigo.
- Só andando?
- Queria mais.
- Mais o que?
- Mãos dadas.
- Não quero mais.
- Mais nada mão ou mais andar?
- Mais nada mão.
- Então anda?
- Ando.
- Ao meu lado?
- Ao seu lado.
- Dói?
- O que?
- Andar cá comigo.
- Não.
- Tens medo do que?
- De andar sozinha.
- Não entendo.
- Não gosto de andar sozinha.
- Mas não queria andar comigo.
- Gosta de andar acompanhada.
- Gosta?
- Sim, mas tenho medo.
- Pela companhia?
- Não.
- Medo de que então?
- Perder a companhia.
- Prefere como?
- Sozinha.
- Por medo?
- É, prefiro andar sozinha e não perder.
- As nossas frustrações vem de nós mesmos.
- E não dos outros?
- Não, vem da gente.
- Só?
- Sim. Nós esperamos dos outros o que eles não podem dar.
- É real.
- Quem anda sozinho não tem de quem esperar nada.
- É triste.
- E real.
- É, e real.
- Vamos pra onde?
- Para a direita.
- Vês? Minha vida segue a esquerda.
- Vamos a direita comigo.
- Não posso.
- Por quê?
- Estaria desviando do curso da vida.
- O destino é mutável.
- Mas acá está traçado.
- Vamos a direita comigo.
- Vou perder-me.
- Clarice, perder-se também é caminho.
- Não quero.
- Por medo?
- Por não querer.
- Te queria.
- Me queria como?
- Andando cá comigo.
- Só andando?
- Queria mais.
- Mais o que?
- Mãos dadas.
- Não quero mais.
- Mais nada mão ou mais andar?
- Mais nada mão.
- Então anda?
- Ando.
- Ao meu lado?
- Ao seu lado.
- Dói?
- O que?
- Andar cá comigo.
- Não.
- Tens medo do que?
- De andar sozinha.
- Não entendo.
- Não gosto de andar sozinha.
- Mas não queria andar comigo.
- Gosta de andar acompanhada.
- Gosta?
- Sim, mas tenho medo.
- Pela companhia?
- Não.
- Medo de que então?
- Perder a companhia.
- Prefere como?
- Sozinha.
- Por medo?
- É, prefiro andar sozinha e não perder.
- As nossas frustrações vem de nós mesmos.
- E não dos outros?
- Não, vem da gente.
- Só?
- Sim. Nós esperamos dos outros o que eles não podem dar.
- É real.
- Quem anda sozinho não tem de quem esperar nada.
- É triste.
- E real.
- É, e real.
- Vamos pra onde?
- Para a direita.
- Vês? Minha vida segue a esquerda.
- Vamos a direita comigo.
- Não posso.
- Por quê?
- Estaria desviando do curso da vida.
- O destino é mutável.
- Mas acá está traçado.
- Vamos a direita comigo.
- Vou perder-me.
- Clarice, perder-se também é caminho.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Mariana
Mariana, acende a luz. Pra quê? Acho que tenho uma resposta pra você. Pronto, acendi. Se entrega. Como assim? É ué, se joga. Não. Me joga da onde? Da ponte? Não, Mariana, foca, se joga na vida, o que a vida te der, você costura. Explique. Mais? É, me dê exemplos. Assim, se a vida te der algodão, faça uma camiseta, se ela te der lã, faça um pullover. Entende? Não. Mariana, se alguém legal aparecer, você costura ele, cultiva a relação... entende? Essas aspas voadoras na palavra costura não adiantaram em nada, mas entendi o raciocínio.
E se a vida não me trouxer alguém legal? Ai, ela vai estar te dando a gandaia, ai, você costura a gandaia. Hun.. e se a pessoa não quiser ser costurada? A gente não obriga ninguém a fazer o que não quer. As pessoas são seres errantes. Errantes, oi? Tipo na biologia, andam a esmo pela vida, procurando um lugar seguro pra se viver, só que na verdade eles nunca param. Tipo glóbulos brancos? Exato! Ficam por ai zanzando até encontrarem seus vírus perfeitos.
Você acredita em alma gêmea? Jamais! Não? Não, existem almas afins, que poderiam se dar bem, mas isso não é exclusivo. Eu acredito, sabia? É? É, acho que a gente tem uma alma gêmea que a gente procura a vida inteira, e as vezes, estamos tão acostumados a procurar que desaprendemo a encontrar. Hun.. é.. pode ser. Vamos dormir? Agora não dá, eu to pensando. Apaga a luz então.Ok, boa noite. Boa noite. ... ... ... Tá dormindo?...Tá?... Mariana! Tá dormindo? To! Ah, ok, boa noite.
E se a vida não me trouxer alguém legal? Ai, ela vai estar te dando a gandaia, ai, você costura a gandaia. Hun.. e se a pessoa não quiser ser costurada? A gente não obriga ninguém a fazer o que não quer. As pessoas são seres errantes. Errantes, oi? Tipo na biologia, andam a esmo pela vida, procurando um lugar seguro pra se viver, só que na verdade eles nunca param. Tipo glóbulos brancos? Exato! Ficam por ai zanzando até encontrarem seus vírus perfeitos.
Você acredita em alma gêmea? Jamais! Não? Não, existem almas afins, que poderiam se dar bem, mas isso não é exclusivo. Eu acredito, sabia? É? É, acho que a gente tem uma alma gêmea que a gente procura a vida inteira, e as vezes, estamos tão acostumados a procurar que desaprendemo a encontrar. Hun.. é.. pode ser. Vamos dormir? Agora não dá, eu to pensando. Apaga a luz então.Ok, boa noite. Boa noite. ... ... ... Tá dormindo?...Tá?... Mariana! Tá dormindo? To! Ah, ok, boa noite.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Cala-te
No início, tudo era dito abertamente, as palavras eram claras e bem projetadas. Todos esbanjavam dicção e contavam sobre todas as coisas que coubessem em palavras.
Contava-se sobre o vizinho, a escola e a festa da semana anterior. Mães se gabavam de suas crianças, funcionários criticavam os salários, chefes reclamavam da conversa e do rendimento baixo do trabalho. E tudo era dito abertamente.
Ele achou estranho o dia em que o volume das vozes começaram a baixar. Os comentários pareciam mais secretos, a exibição de méritos infantis se tornaram mais hostis. Não sabia se seguia o grupo e abaixava o tom de voz ou se mantinha o tom normal, só pra ser diferente.
A cada dia as conversas se tornavam mais cochichadas, e sem perceber se tornaram sussurros quase impossíveis de se identificar. Os comentários eram sibilados lábio afora. As histórias se tornavam difíceis de entender e involuntariamente, ele também se calou.
Quando imerso em silêncio notou que não só as pessoas, mas a cidade havia se calado. Não se ouvia o ranger dos motores, nem as buzinas dos atrasados, nem os pássaros no fim da tarde.
A cidade pulsava em vibrações, mas não em sons. E ele então percebeu que os lábios alheios continuavam seus movimentos, mas as palavras não escapavam. Dentes à mostra sem os sons das risadas. E então, em imensa perplexidade descobriu que não havia mistérios, nem cochichos. Ele havia ensurdecido
Contava-se sobre o vizinho, a escola e a festa da semana anterior. Mães se gabavam de suas crianças, funcionários criticavam os salários, chefes reclamavam da conversa e do rendimento baixo do trabalho. E tudo era dito abertamente.
Ele achou estranho o dia em que o volume das vozes começaram a baixar. Os comentários pareciam mais secretos, a exibição de méritos infantis se tornaram mais hostis. Não sabia se seguia o grupo e abaixava o tom de voz ou se mantinha o tom normal, só pra ser diferente.
A cada dia as conversas se tornavam mais cochichadas, e sem perceber se tornaram sussurros quase impossíveis de se identificar. Os comentários eram sibilados lábio afora. As histórias se tornavam difíceis de entender e involuntariamente, ele também se calou.
Quando imerso em silêncio notou que não só as pessoas, mas a cidade havia se calado. Não se ouvia o ranger dos motores, nem as buzinas dos atrasados, nem os pássaros no fim da tarde.
A cidade pulsava em vibrações, mas não em sons. E ele então percebeu que os lábios alheios continuavam seus movimentos, mas as palavras não escapavam. Dentes à mostra sem os sons das risadas. E então, em imensa perplexidade descobriu que não havia mistérios, nem cochichos. Ele havia ensurdecido
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Ressaca
Esse texto foi escrito no dia 15 de setembro de 2011
Não te quero mais. Fujo dos encontros, escapo dos cumprimentos. Passo os dias desviando de você. Desviando dos detalhes, desviando a atenção. Não quero mais te querer.
Chegou-se ao ponto em que você não me faz bem. A necessidade de me afastar superou seus encantos. Degluto comentários e os engulo na ânsia de fazê-los.
Você é Capitu, eu sou Escobar, os olhos de ressaca te pertencem , e quando, em meio a tantas fugas eles me encontram, sugam de mim a coragem e a vontade de distância. Teus olhos arrastam para si todo o meu escudo cuidadosamente polido. Não te quero mais.
Quero você longe.Quero espaço pra me procurar e assim encontrar aos outros. Vá embora, por favor. Não te quero mais por perto, não te quero mais.
Não te quero mais. Fujo dos encontros, escapo dos cumprimentos. Passo os dias desviando de você. Desviando dos detalhes, desviando a atenção. Não quero mais te querer.
Chegou-se ao ponto em que você não me faz bem. A necessidade de me afastar superou seus encantos. Degluto comentários e os engulo na ânsia de fazê-los.
Você é Capitu, eu sou Escobar, os olhos de ressaca te pertencem , e quando, em meio a tantas fugas eles me encontram, sugam de mim a coragem e a vontade de distância. Teus olhos arrastam para si todo o meu escudo cuidadosamente polido. Não te quero mais.
Quero você longe.Quero espaço pra me procurar e assim encontrar aos outros. Vá embora, por favor. Não te quero mais por perto, não te quero mais.
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